Uma Igreja no Caminho da Restauração
“…se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar. Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias”.
2 CORÍNTIOS 7:14-16 / TIAGO 5:15-18 ARA
“E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos”.
Introdução
Que igreja que Deus quer que sejamos? O que estamos fazendo aqui nesta cidade? Nosso negócio são pessoas, vidas, restauração, transformação de vidas e da cidade. Viver e declarar a glória de Deus, através de seus eternos propósitos. Não somos um clube social, uma organização, ou uma empresa. Somos o povo de Deus, a Igreja do Deus vivo! Hoje vamos ver como viver isso!
Igreja, nestes dois textos revelados por Deus em sua Santa Palavra, está o segredo da nossa vitória, o que precisamos para o sucesso de nossa igreja para este ano de 2009 e para o maior desafio da história desta igreja, que é a conquista da colina. Será que a sua e a minha vida são determinadas pela comunhão intensa com Deus? Será que nós, o povo que se chama pelo nome de Deus, vive a experiência da comunhão com Deus?
Deus criou o homem para uma comunhão contínua, incessante e constante com Ele. O pecado separou o homem de Deus. Para restaurar a comunhão com o homem, Deus deu o primeiro passo: Ele começou esse processo de restauração nos regenerando e nos transportando para um novo Reino: “Ele nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz, e nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl 1:12-13).
A pergunta nessa hora, entretanto, não é sobre o que Deus já fez, mas sobre o que temos feito para usufruir e participar efetivamente desse processo de restauração que Deus quer fazer. Para que você e eu, nós, como igreja, sejamos um povo que celebra a recuperação de vidas, precisamos:
1) Tomar o caminho da humildade (2 Cr 7:14a)
A marca maior da alienação do homem de Deus está na hybris, no orgulho, que é a inversão da humildade. A humildade pode ser definida como a atitude que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações; a reconhecer-se finito e limitado. Foi o orgulho que transformou anjos em demônios, mas é a humildade que faz de homens, anjos!
Associamos a humildade à pobreza material, entretanto a humildade está relacionada com a ausência de orgulho: “conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba, altivez”. A humildade é vivida diante de Deus, mas também diante dos homens. Não há um humilde diante de Deus que seja orgulhoso diante dos homens.
Conforme Jeremias 9:23, “não se glorie o sábio na sua sabedoria”, ou… o forte na sua força, o rico nas suas riquezas, o espiritual na sua espiritualidade, o bonito na sua beleza, o estudioso nos seus dons, o pregador na sua eloquência, o líder na sua equipe, o professor nos seus conhecimentos, o membro da igreja nos seus anos de experiência.
A vaidade precede a nossa queda! Sempre temos muita coisa do que nos orgulhar (fazemos o que fazemos com perfeição, temos um nome, temos recursos materiais), mas corremos o grande risco de esquecer a humildade e praticarmos narcisismo espiritual. Houve uma ocasião em que Jesus não pôde fazer muitos milagres em Nazaré por causa da incredulidade dos seus conterrâneos. Deus espera de nós a humildade para continuar a Sua obra de restauração. Que nossa igreja seja um lugar de pessoas humildes, sejam pobres ou ricas, novos ou velhos, acadêmicos ou iletrados, gente que vive em simplicidade.
2) Tomar o caminho da oração (2 Cr 7:14b)
Só pessoas humildes oram. Oração pública e em particular. Conta-nos o Evangelho, em Lucas 18:10-11, que dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu e um publicano. O fariseu orava e dizia: “Oh Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, ladrões, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano”. Faltava a este homem a humildade, por isso orava consigo mesmo.
Deus espera de nós que busquemos a sua face de tal modo que possamos participar ativamente do processo de restauração que Ele quer realizar. Oração é dependência, é fraqueza do homem, é espera na grandeza de Deus, e os vaidosos e orgulhosos não admitem isto. A oração é o caminho da cura, da restauração, da nossa recuperação diária, é o caminho do altar, da graça, da fé, do perdão, da rendição!
3) Tomar o caminho da santificação (2 Cr 7:14c)
O autor da carta aos Hebreus, no capítulo 12, verso 14, apresenta a questão em termos absolutamente radicais: Sem a santidade, ninguém verá o Senhor! Há inimigos da santidade em nossas vidas…
a. Indiferença (Rm 12:1-2)
Existem aqueles que vivem uma vida cristã de indiferença, de apatia mesmo, para com a necessária santidade. São crentes que vivem acomodados aos padrões do mundo, reproduzindo em suas vidas o estilo da sociedade sem Deus. Negociam como o mundo, falam como o mundo, se vestem como o mundo, vivem a experiência familiar como o mundo vive, amam como o mundo, reagem como o mundo etc…
b. Passividade (1 Tm 6:11-12)
A Bíblia de fato ensina que a regeneração é tão somente pela graça de Deus, mas nunca que a santidade é meramente resultado de cruzar os braços e deixar-se santificar. Vida cristã é descrita como disciplina, guerra, luta, corrida, esforço que conta certamente com um companheiro: o Espírito Santo, mas também com a ação concreta do homem regenerado!
Quando Paulo diz, “Cristo vive em mim” (Gl 2:20), ele explica imediatamente que essa expressão significa que ele mesmo, Paulo, vivia a sua própria vida pela fé no Filho de Deus. Fé no sentido da jornada com Deus. Fé que implica em crença, obediência, confiança, esperança. Fé que é entrega, que envolve o homem todo, intelecto, emoção e volição. Esta visão errônea da santificação leva o crente a passivamente esperar de Deus, o que na verdade Deus espera do crente, e a consequência desastrosa é que esse acaba por fugir da santificação.
c. Autonomia (Ef 4:13)
Um terceiro elemento que milita contra a santidade vem a ser exatamente a tentativa humana de conseguir produzir em sua própria vida, por seus esforços pessoais, sem a força do Espírito, a santidade que Deus espera. Esta postura é exatamente o polo extremo do elemento anterior da passividade. A Bíblia mostra que esta tentativa do homem, de tentar produzir um santo sem a ação de Deus está fadada ao fracasso, e foi por isso mesmo que Jesus morreu.
A santificação só pode se dar depois de cumpridos três passos:
- A regeneração, através da qual o domínio do pecado sobre nós é morto;
- A vinda do Espírito Santo em nós que nos capacita, que nos corrige, que nos disciplina, que
nos alerta, que nos “ajuda em nossas fraquezas”; - A disciplina cristã, que ao invés de cruzar os braços, esforça-se para, com os dois elementos
anteriores, chegar ao alvo da soberana vocação.
É preciso disposição que vença a apatia e indiferença, a passividade, a presunção da autonomia, o orgulho e a resistência em buscar a Deus. Mas é na consciência dos maus caminhos que vamos nos dispor à santificação.
Quais são os nossos maus caminhos? Quais são os teus maus caminhos, que são obstáculos para uma comunhão contínua, incessante, constante com o Senhor? Nunca houve avivamento sem consciência e confissão de pecados. Avivamento não vem por estudo apenas, mas, sobretudo por atitudes, daí a importância da confissão. A Bíblia descreve muitos maus caminhos! Em Gálatas temos uma lista: imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria e feitiçaria, ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes (Gl 5.19-21).
d. Egocentrismo (Gl 2:20)
Temos sido alvo, em nossa história, de muita contribuição altruísta, mas ainda assim lutamos muito com o egoísmo. Temos tido dificuldades tremendas de sair de nosso eu, de nosso mundo e nos perguntarmos, quando somos desafiados a investir nas outras pessoas: qual o retorno que teremos? Quem recebeu graça tem que oferecer graça!
e. Maledicência (Pv 6:16-19)
Maledicência é toda murmuração e difamação. Há muita prática de maledicência no meio do povo de Deus. Há maledicência nos lares, há maledicência nas igrejas do Senhor (gente que vem para a igreja para praticar a murmuração). A maledicência é um pecado grave pois milita contra a comunhão do corpo. Ao murmurar e difamar o teu irmão, você está ferindo o corpo de Cristo! Deus está vendo e sabe! Podemos estar agindo com racionalizações, justificativas, escusas ou boicotes, mas Deus sempre vê tudo.
4) Tomar o caminho da intercessão (Tg 5:15)
Interceder é diferente de pedir para você; é se colocar na brecha pelo outro. Pelos que sofrem e precisam, emocionalmente, espiritualmente ou fisicamente. É empreender uma guerra!
5) Tomar o caminho da confissão (Tg 5:16)
Pecado confessado é pecado perdoado! Seja pessoalmente, no PG, na família… abra o coração. Uma igreja no caminho da recuperação não é fingida, é um lugar seguro de perdão e aceitação!
6) Tomar o caminho da dependência (Tg 5:17)
Não precisamos de “super crentes”, precisamos de gente normal, mas que viva na dependência deste ser sobrenatural que é o nosso Deus. Ele usa pessoas normais, como eu e você. Elias não era Santo Elias! Somos uma igreja que depende de Deus, quer a independência do pecado e vivemos na interdependência uns dos outros.
Conclusão
Você quer ser este tipo de igreja? Quer seguir conosco neste caminho? Em Tiago 5:18, Elias orou e, por meio da fé, da oração, Deus trouxe os frutos. Em 2 Crônicas 7:14-15, Deus disse “que além de ouvir, perdoar, e curar a sua terra. Doravante os seus olhos estariam abertos e os seus ouvidos atentos às orações feitas naquele lugar”. Aleluia! Deus não mudou de ideia, é justamente isto que Ele quer para minha vida, para sua vida, para nossa igreja. Deus tem prazer em abençoar o seu povo! Enquanto esta igreja for assim, as mãos, os ouvidos e os olhos do Senhor estarão voltados para este lugar!
Imagem da Capa: Pexels/Nguyễn Trường
